Cuidado: golpe usa o site oficial do Claude para roubar dados e criptomoedas
Criminosos usam recursos de compartilhamento do Claude para instalar malwares e roubar senhas e criptomoedas.
Sabe aquela sensação de que, quanto mais tecnologia a gente usa, mais novos jeitos de ser enganado aparecem? Pois é, eu li uma notícia hoje que me deixou bem atento e achei importante compartilhar com vocês. O golpe da vez envolve o Claude, uma das inteligências artificiais mais famosas do momento, e é bem sofisticado.
Não é apenas um site falso que tenta imitar o visual da ferramenta, mas algo que usa o próprio site oficial para aplicar o golpe. Trago essa notícia porque ela mexe com muita gente que já está integrando essas IAs no fluxo de trabalho diário. Vamos entender como isso funciona para que ninguém caia nessa armadilha.
O que aconteceu
De acordo com pesquisadores da Gen Digital, empresa dona da Norton e Avast, uma nova campanha de cibercriminosos está usando anúncios pagos do Google para distribuir versões falsas do Claude. O objetivo é enganar usuários para que instalem programas maliciosos em sistemas Windows e macOS.
A fraude é particularmente perigosa porque as páginas falsas são hospedadas dentro do próprio domínio da Anthropic, o claude.ai. Os invasores utilizam as funções de 'Artefatos' e 'chats compartilhados' para criar esses links. Isso faz com que o endereço do site pareça legítimo, dificultando a identificação do golpe pelo usuário comum.
No macOS, o golpe instrui a vítima a executar um comando no Terminal para instalar o malware Atomic Stealer (AMOS). Esse programa busca roubar senhas, dados de navegadores e informações armazenadas no sistema. Ele também pode tentar capturar credenciais através de telas falsas de senha que imitam o sistema operacional.
Já no Windows, os criminosos utilizam uma técnica chamada ClickFix, que orienta o usuário a colar um comando no PowerShell. Isso baixa um trojan que permite aos invasores controlar o computador à distância, fazer capturas de tela e procurar por carteiras de criptomoedas. É uma invasão completa do dispositivo.
Segundo a notícia, essa estratégia segue um padrão de ataques que exploram a confiança em plataformas de IA. Casos semelhantes já foram registrados anteriormente com o ChatGPT e anúncios no Bing. A Anthropic chegou a desconectar sessões de contas comprometidas em agosto, mas não havia se pronunciado sobre a remoção dessas páginas específicas até o relatório da Gen Digital.
Entendendo
Para entender por que esse golpe é tão esperto, precisamos falar sobre o que são esses 'Artefatos' e 'chats compartilhados'. Basicamente, são ferramentas que permitem que um usuário crie conteúdos ou conversas e os torne públicos para outras pessoas acessarem via link. É uma função de colaboração que facilita o compartilhamento de informações e códigos de forma rápida.
O problema é que os criminosos usam essa funcionalidade de compartilhamento para hospedar as páginas falsas dentro do próprio domínio oficial da Anthropic. Isso significa que, ao olhar para a barra de endereços do navegador, o usuário vê o endereço legítimo da empresa, o que gera uma falsa sensação de segurança. É uma forma de usar a infraestrutura da própria ferramenta para mascarar o ataque.
Outro conceito importante aqui é o de 'malware' ou programa malicioso, como o Atomic Stealer mencionado na notícia. Esse tipo de software é projetado para agir de forma silenciosa, tentando roubar o máximo de informações sensíveis possível. Eles buscam senhas, cookies de navegação e até arquivos de backup para conseguir acesso total à vida digital da vítima.
É muito difícil para um antivírus barrar algo quando o próprio dono do computador está digitando o código malicioso por vontade própria.
O que muda para você
Para quem usa o Claude no computador, a principal mudança é o nível de atenção que você deve ter com comandos estranhos. O instalador oficial para Windows ou Mac não vai pedir que você abra o Terminal ou o PowerShell para colar códigos. Se o site pedir para você fazer algo desse tipo, desconfie imediatamente.
Se você trabalha com criptomoedas, o cuidado precisa ser redobrado, pois os malwares podem substituir aplicativos de carteiras por versões falsas. Isso serve para capturar suas frases de recuperação e esvaziar seus ativos. O golpe foca justamente em roubar essas informações que são o coração das carteiras digitais.
Caso você perceba que executou algum comando suspeito, a recomendação é agir rápido usando outro dispositivo confiável. Você deve trocar suas senhas principais, como as de e-mail e bancos, e encerrar todas as sessões ativas. No caso de cripto, a orientação é transferir os valores para uma carteira nova, criada em um aparelho que não esteja infectado.
Fonte: Canaltech