Falha no Telegram permitia invasão ao atender chamada no Android
Falha no Telegram para Android permitia que invasores assumissem o controle do aparelho ao atender chamadas de voz.
Você já teve aquela sensação de que, ao atender uma chamada de voz, está apenas conversando com alguém? Pois é, uma falha de segurança descoberta recentemente no Telegram para Android mostra que esse simples gesto poderia ter sido o gatilho para uma invasão no seu celular. Trago essa notícia porque ela mexe com a nossa percepção de segurança em aplicativos que usamos o tempo todo.
O caso envolve uma vulnerabilidade que permitia que invasores executassem códigos dentro do aparelho da vítima. A descoberta foi feita pela empresa de segurança NebuSec e, confesso, é o tipo de situação que nos faz olhar com mais cautela para as permissões dos nossos dispositivos. Mas não precisa entrar em pânico, pois a correção já existe e o caminho para se proteger é bem direto.
O que aconteceu
Uma vulnerabilidade no Telegram para Android permitia que invasores executassem códigos no celular após uma chamada de voz ser atendida. De acordo com a empresa de segurança NebuSec, o erro estava no processamento de mensagens que informam o estado das chamadas. Quando uma dessas mensagens não continha todos os campos necessários, o sistema acessava indevidamente a memória do aparelho.
A falha afetou as versões do aplicativo que variam entre a 8.6.2 e a 12.10.3. Segundo a empresa, o problema abrange o período de março de 2022 a setembro de 2026. Para mitigar o risco, a NebuSec aponta que a correção foi implementada na versão 12.10.4 do aplicativo para o sistema Android.
Em uma demonstração divulgada pela NebuSec, foi mostrado um ataque em uma chamada privada em um celular com processador ARM64. No vídeo, o aplicativo é fechado e a tela do aparelho exibe a mensagem 'HACKED BY NEBUSEC'. A empresa demonstrou que o ataque exige apenas uma conta comum no Telegram para ser realizado.
De acordo com a reportagem, não há evidências de que a falha tenha impactado aplicativos para iOS, versões de computador ou chamadas em grupo. Embora o Telegram compartilhe bibliotecas de voz e vídeo entre as plataformas, a correção já havia sido aplicada para iPhone e computador antes de chegar ao Android. Até o dia 29 de outubro, a falha ainda não possuía um identificador CVE oficial.
Entendendo
Para entender o perigo aqui, precisamos falar sobre a execução de código, que é quando um programa consegue dar ordens inesperadas ao processador do celular. Normalmente, o aplicativo segue um roteiro muito rígido de instruções, mas uma falha permite que um invasor 'pule o muro' e insira comandos próprios. Quando isso acontece, o invasor pode assumir o controle de funções que não deveriam estar acessíveis.
O problema específico aconteceu por causa de um erro no processamento de dados na memória do aparelho. Imagine que o aplicativo espera receber um formulário com dez campos preenchidos para uma chamada funcionar corretamente. Se o invasor envia um formulário incompleto ou com informações maliciosas, o sistema se confunde e acaba acessando uma área da memória que não deveria. Esse acesso indevido é o que abre a porta para o ataque.
A vulnerabilidade foi confirmada em aparelhos que utilizam processadores com a arquitetura ARM64, que é o padrão da grande maioria dos smartphones modernos. O ataque foi demonstrado de forma visual, onde o aplicativo fechava e a tela do celular exibia uma mensagem de invasão. Isso mostra que o invasor conseguiu interferir diretamente na interface e no funcionamento básico do sistema operacional através do aplicativo.
O fato de as versões para iPhone e computador já terem recebido a correção antes do Android é um detalhe que merece atenção.
O que muda para você
Para quem utiliza o Telegram no Android, a mudança imediata é a necessidade de conferir a versão do aplicativo. De acordo com a NebuSec, a vulnerabilidade foi corrigida na versão 12.10.4, então o usuário deve garantir que está utilizando essa ou uma versão posterior. O processo é simples e pode ser feito diretamente nas configurações do próprio aplicativo.
Para quem contrata ou gerencia o uso de softwares em empresas, o caso reforça a importância de políticas de atualização de dispositivos móveis. Como a falha afetava versões lançadas entre março de 2022 e setembro de 2026, o intervalo de risco é considerável. É fundamental garantir que os aparelhos usados para trabalho não estejam rodando versões obsoletas do aplicativo.
É importante notar que, segundo as informações disponíveis, o risco não se estende aos usuários de iOS, nem a quem utiliza o Telegram no computador. O problema foi confirmado especificamente em chamadas privadas feitas para aparelhos com processadores ARM64. Portanto, a ação de proteção deve ser focada principalmente nos usuários de Android que buscam manter a integridade de seus dados.
Fonte: Olhar Digital