Hackers atacam freezers de supermercados e elevam temperaturas
Ciberataques em redes de supermercados europeias manipulam sistemas de refrigeração e elevam temperaturas.
Você já parou para pensar que um hacker pode causar um prejuízo enorme sem sequer tocar em um computador de escritório? Pois é, aconteceu recentemente na Europa e o alvo não foram arquivos confidenciais, mas sim a temperatura dos freezers de vários supermercados. É um tipo de ataque que mexe com o mundo físico de um jeito bem direto e perigoso.
Trago essa notícia porque ela mostra como a tecnologia que usamos para facilitar a vida pode se tornar uma vulnerabilidade enorme. Ver geladeiras sendo controladas por criminosos para esquentar em vez de esfriar soa como algo saído de um filme, mas é a realidade de várias redes de lojas agora. Vamos entender o que está rolando e por que isso é um sinal de alerta.
O que aconteceu
Diversas redes de supermercados na Europa sofreram ataques cibernéticos que afetaram diretamente seus sistemas de refrigeração. Na Bélgica e em Luxemburgo, lojas da rede Ahold Delhaize foram atingidas, e o CEO da Sabcobel, empresa que cuida dos sistemas da rede, afirmou que os evaporadores foram acionados no modo de degelo. Isso fez com que a temperatura dos equipamentos subisse.
Na Suécia, o problema também foi registrado por redes como a ICA e a Coop. Segundo a Reuters, uma loja da ICA relatou que seus freezers foram invadidos durante a madrugada e a temperatura foi ajustada para 50°C. Em Estocolmo, uma unidade da ICA Baronen teve que informar que seus freezers estavam fora de funcionamento após o ataque ocorrido na madrugada.
O impacto também chegou à Estônia, onde uma fornecedora de tecnologia, a Kitman Coldtech, afirmou que equipamentos de uma rede de supermercados chegaram a atingir 50°C. O chefe do Centro Nacional de Cibersegurança da Suécia, John Billow, confirmou que as autoridades estão investigando esses incidentes envolvendo sistemas de refrigeração no país.
Na Bélgica, o Grupo Colruyt, que opera franquias da rede Spar, também relatou que os sistemas de refrigeração de cinco unidades foram atacados. Até o momento, as autoridades não informaram quem são os responsáveis por esses ataques, e nenhum grupo de hackers assumiu a autoria do que aconteceu nessas redes de lojas.
Entendendo
Para entender por que isso é tão perigoso, precisamos falar sobre o conceito de IoT, ou Internet das Coisas. Isso acontece quando objetos do nosso dia a dia, como geladeiras ou sistemas de ar-condicionado, são conectados à internet para permitir controle remoto. Antigamente, um freezer era apenas uma máquina mecânica isolada, mas hoje ele faz parte de uma rede digital.
Essa conexão traz muita praticidade para os gerentes de lojas, que podem monitorar tudo pelo celular ou computador. No entanto, essa mesma porta de entrada que permite o controle legítimo também pode ser usada por invasores. Se o sistema não estiver protegido, o hacker não precisa roubar dados de cartões de crédito; ele pode simplesmente mudar as configurações físicas do aparelho.
O problema central aqui é a vulnerabilidade de sistemas operacionais antigos ou sem atualizações. Muitas vezes, equipamentos industriais de refrigeração rodam softwares que não recebem correções de segurança há muito tempo. Como o chefe do Centro Nacional de Cibersegurança da Suécia mencionou, existem muitos desses equipamentos conectados rodando sistemas vulneráveis que precisam de correções urgentes.
A segurança digital precisa ser vista como um todo, integrando o escritório e o chão de loja.
O que muda para você
Para quem gerencia lojas ou contrata serviços de automação, o foco deve mudar para a segurança de equipamentos periféricos. Não basta proteger apenas os computadores e servidores; é preciso garantir que sistemas de câmeras, alarmes e refrigeração também estejam sob controle. A segurança precisa abraçar todos os dispositivos conectados à rede da empresa.
Quem utiliza softwares de monitoramento de infraestrutura deve observar se todos os dispositivos estão com as atualizações em dia. Como apontado pelas autoridades na Suécia, muitos incidentes ocorrem porque equipamentos conectados rodam sistemas operacionais vulneráveis. Manter as correções de segurança instaladas deixa de ser uma tarefa técnica e passa a ser uma medida de sobrevivência do negócio.
No dia a dia das operações, isso exige uma revisão constante de quem tem acesso remoto aos controles da loja. É fundamental perguntar aos fornecedores de tecnologia como eles protegem os sistemas de controle de temperatura e outros dispositivos de IoT. A conectividade que traz eficiência também traz a necessidade de uma vigilância muito mais rigorosa sobre o que está conectado.
Fonte: g1